Ana Gonçalves e Sebastiana, duas vidas e algo em comum, são parteiras.
Ana Gonçalves de Cirqueira, mães conhecida como “Mãe Ana”, nasceu em 12 de abril de 1928, hoje com 82 anos de idade é um exemplo de vida para os seus familiares, de cidadania para o município e de muito orgulho para os jovens, que explicarei mais adiante o motivo de tudo isso. Ela também esteve no evento e ficou muito emocionada com a inciativa do Colégio Estadual Cel. José Francisco de Azevedo, segundo ela “esses momentos deveria acontecer mais, agente fica mais viva, conversa mais com as pessoas, só de sair de casa dá agente outro alento, aprendi muito, conheci muitos direito que o idoso tem e agente não sabe”.
Pois bem, sobre “Mãe Ana”, vou fazer um breve relato sobre sua historia, para que os interessados possam aprofundar suas curiosidades. Quando em um tempo em que as condições de saúde eram precárias, ou seja, nem mesmo existia acesso ao atendimento básico, os partos eram feitos por parteiras, que colocavam seu conhecimento popular e suas experiências a serviços das gestantes, esse trabalho ia muito além do parto, era uma espécie de pré-natal, haja vista, que ainda não dispunha de equipamentos médicos.
Eram muitas as mulheres que realizavam esse trabalho, pois no caso de Ana Gonçalves, essa pessoa abençoada, que trouxe muitas crianças para a vida, tem uma peculiaridade, foram 362 pessoas que viram pela primeira vez a luz de nosso tempo por suas mãos. Em um tempo em que muitas mães e crianças morriam no parto, em função da ausência de um exame mais detalhado para verificar as condições e posição do bebê, ela não perdeu uma só vida. Entre as diversas pessoas que são gratas a esse dom estão muitos de nossos professores, inclusive este que assina esta matéria.
Em sinal de gratidão pela sua trajetória de parteira e, pela felicidade de não ter passado pela tristeza de perder nenhuma criança em suas mãos, todo ano ela reza para Nossa Senhora Santana, conhecida pelos católicos como a avó de Jesus Cristo. Segundo ela, esse terço é para reunir seus filho de parto, ou pelo menos parte deles e agradecer a Deus pelo dom da vida.
Que tal se nós tirássemos um pouco de tempo para conversar e aprender com essas pessoas? Seria no minimo interessante. Numa dessa conversa de passa tempo, com um senhor de 92 anos fiz a seguinte indagação - 92 anos é muito tempo! E ele me respondeu. Meu filho pra que tem 22 anos, atingir 92 é muito tempo a percorrer, mas pra que tem 92 anos 18 parece que foi ontem.
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